Em Março de 2024, mais precisamente a 21, a cidade do Porto celebrava o Dia Mundial da Poesia com a primeira edição do Festival Internacional de Poesia do Porto (FIPP). Entretanto, num dos redutos artísticos da cidade, o Espaço Compasso, celebrava-se também com poesia uma outra inauguração.

A gestação das Tertúlias Não-Monogâmicas foi relativamente rápida, e seu parto muito melhor do que o esperado. Já na primeira edição mais de 20 pessoas estiveram presentes para ouvir sobre não-monogamia ética e todas as suas vertentes. O tema foi amplo: “Não Monogamia”, e um projeto que era pouco mais do que um desejo de aprender começava, sem saber muito bem aonde iria dar. Nas palavras do seu idealizador “Se fôssemos aí uns três ou quatro, para mim já valia a pena.” E valeu.

Pedro Pereira encontrava-se já a explorar os caminhos da não-monogamia ética e sentia que faltava ao Porto um espaço dedicado ao estudo e amadurecimento das tantas ideias que permeiam este modo de viver. Embora já houvesse então grupos espalhados, Pedro sentia falta de um corpo mais organizado de saber. E daí nasceu a ideia de fazer brotar uma comunidade a partir de um circuito de tertúlias quinzenais. Por afinidade, o Espaço Compasso foi o escolhido para abrigar a ideia e a primeira data foi marcada, com divulgação entre amigos e grupos de WhatsApp.

Às 19 horas do dia combinado, reuniram-se amigos, conhecidos e curiosos para ouvir o que um desconhecido tinha a dizer. Não menos ansioso estava o próprio Pedro. Felizmente para ele - e também para todos nós - a primeira Tertúlia Não-Monogâmica correu muito bem, com a participação ativa e aquela sensação de comunidade e de vida que se espera de um ambiente de partilha. Falas diversas, experiências distintas mas um ponto em comum: todos estavam ali para dar mais do que para receber.

E foi justamente esse ambiente troca que fez daquela noite um marco tão importante do que a comunidade viria a se tornar. De fato, uma comunidade. Ainda havia muito caminho a percorrer para chegar ao que hoje é, mas pouco a pouco, etapa por etapa, as Tertúlias cresceram.

Passou a Primavera, passou o Verão. Veio o Outono e de seguida o Inverno. E as Tertúlias continuaram a acontecer com regularidade quinzenal. Abrigando temas tão diversos quanto Comunicação, Parentalidade e Política, entre tantos outros que podem ser abrigados por este grande guarda-chuva não-mono. Afinal, mais do que uma forma de se relacionar, a não-monogamia é uma forma de se posicionar no mundo.

Na Primavera de 2025 a comunidade celebrou o seu primeiro aniversário. Uma grande festa reuniu quase 100 pessoas, com direito a jogos, música e até bolo de aniversário. Ao fim daquele primeiro ano o projeto já não era mais só do Pedro, tampouco só as Tertúlias. A comunidade Porto Não-Monogâmico, criada no WhatsApp, já continha mais 200 membros espalhados em 16 grupos. A organização e dinamização das tertúlias tornou-se aberta a quem se voluntariasse - e voluntários não faltaram. Alguns mais ativamente, outros mais discretamente, cada membro deu sua parcela de contribuição para a manutenção e crescimento deste espaço.

Assim, da própria comunidade nasceu o interesse e a disposição de criar esta revista eletrônica. Um espaço de partilha de ideias, de eventos e do que mais se entender que cabe aqui.

Sejam todos muito bem vindos.