Evento externo
Concentração da Marcha do Orgulho do Porto
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Sabemos o nome disto: repatologização. Não é prudência. É o medo antigo de tudo aquilo que não cabe numa caixa. Este ataque não acontece no vácuo. Acontece num país em que o SNS se desmorona consulta a consulta. Em que as listas de espera crescem e os profissionais de saúde abandonam o público pelo privado. Em que um pacote laboral propõe facilitar despedimentos, aumentar a precariedade e dificultar a reivindicação de direitos. As pessoas trans já enfrentam anos de espera por cuidados especializados dentro de um SNS em colapso. Já ocupam os contratos mais precários. Já são discriminadas nos seus locais de trabalho. Estas propostas não vêm resolver nenhum problema. Vêm criar problemas onde não existem. Vêm punir pessoas por existirem. E chegam precisamente quando o governo precisa que olhemos para outro lado. Nesta cidade, numa rua que não esquecemos, Gisberta Salce viveu e morreu abandonada pelo mesmo Estado que hoje volta a propor leis que nos patologizam e nos deixam para trás. Gisberta não morreu apesar do Estado. Morreu também por causa dele. O Porto não esquece Gisberta. E o Porto responde. Os ataques aos direitos humanos não começam pelo centro. Começam sempre pela margem. Pelo grupo mais isolado, mais fácil de desumanizar. Hoje são as pessoas trans. Mas a mesma lógica que patologiza identidades de género ameaça a autonomia sobre o próprio corpo. Ameaça o direito ao aborto. Ameaça os direitos das mulheres. Ameaça os direitos de lésbicas e gays. Ameaça quem trabalha e luta por condições dignas. Um Estado que decide quais os corpos que merecem cuidados é um Estado que decide quais as vidas que importam. Essa decisão diz respeito a todas as pessoas. Às 15h30, encontramo-nos em frente à Câmara Municipal do Porto. Vamos estar juntes até às 20h. Haverá livros para folhear, petiscos para partilhar e espaço para respirar debaixo dos nossos bandeirões. Este é um espaço seguro. Para quem está exausta. Para quem está com medo. Para quem precisa de sentir que não está sozinha. Para quem quer estar ao lado de quem luta.